Alfabetização na idade certa é demanda prioritária na Câmara de Educação

Superar os piores indicadores na região é o desafio para os governos que formam a Amazônia Legal

11/03/2020 16h44 - Atualizada em 12/03/2020 21h30
Secom/PA

Discutir estratégias que possam solucionar a distorção da idade-série no processo de alfabetização dos alunos da rede pública foi o tema principal debatido no primeiro dia de trabalho da Câmara de Educação do Fórum de Governadores da Amazônia Legal. Representantes da educação de 8 estados da região (Pará, Maranhão, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre, Mato Grosso e Tocantins) estão em Belém participando da reunião que tem como discussão principal o Projeto: Alfabetização e Aprendizagem na Idade Certa em Regime de Colaboração com os Municípios.

Segundo o levantamento feito pelo Consórcio Interestadual Amazônia Legal, com base na Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), o território amazônico apresenta resultados insatisfatórios de aprendizagem. Na região, 47,7% dos estudantes avaliados possuem resultado insuficiente em proficiência em escrita, 67% em leitura e 67% em matemática. Pará e Amapá possuem os piores indicadores da região. Nesse contexto, o Projeto visa contribuir para o desenvolvimento da Amazônia Legal com equidade e igualdade de condições para os estados e seus municípios.

Câmara de Educação debate desafios para o setorA secretária de estado de Educação do Pará, Elieth de Fátima Braga, abriu os trabalhos e destacou a importância dessa discussão. Segundo ela, é um momento muito particular de discussão e avaliação das ações exitosas dos estados e integração das políticas que permitam melhorar a educação pública. "Temos uma realidade educacional difícil com muitas prioridades e com necessidade de financiamento. Temos ações positivas nos estados que precisam ser compartilhadas e outras que necessitam ser adotadas para enfrentar a distorção da aprendizagem”, afirmou.

O Consórcio está buscando parcerias para o financiamento das ações e na reunião de Belém discutiu com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a melhor forma de buscar esses recursos. O banco se colocou à disposição para receber os projetos e avaliar a possibilidade do aporte financeiro por meio dos programas educacionais da instituição.

Câmara de Educação debate desafios para o setorEntre os eixos prioritários e ações estão a formação continuada de profissionais da educação, gestão democrática e participativa, infraestrutura e mobiliários adequados, recursos didático-pedagógicos e tecnológicos, regime de colaboração educação escolar indígena, quilombola, do campo e dos refugiados, e letramento e numeramento. 

O estado do Maranhão, responsável pela coordenação do Projeto na Câmara de Educação, apresentou a síntese da proposta a ser levada ao Fórum de Governadores. O foco será a aprendizagem de crianças entre 4 e 10 anos, em articulação com os municípios e com a parceria de professores e familiares. “Nossa expectativa no Pará é dar visibilidade à região e melhorar os indicadores. O Projeto de Alfabetização vai ser apresentado ao BNDES para captar recursos e concretizar as ações, se possível já a partir deste ano”, informou o subsecretário de Educação do Maranhão, Danilo Moreira. 

Texto: Leidemar Oliveira / Ascom Seduc